P.A. e o registro em ambientes virtuais de aprendizagem
A busca de elementos que respondessem à investigação deste estudo, isto é, entender a concepção do aluno sobre a própria aprendizagem em ambientes virtuais, encontrou apoio nos princípios de uma prática que aponta para a reflexão do próprio processo e para um pensar coletivo. Desta forma, a intervenção do professor junto aos sujeitos envolvidos foi o princípio da ação docente que teve por objetivo, instigar o aluno a pensar sobre a própria aprendizagem.
Em função das ferramentas de comunicação proporcionadas pelo ambiente virtual (Internet, Wiki, CmapTols, Blog, SlideShow, Bubblesheare) uma estreita relação entre professor e aluno é construída. Os sujeitos sentem-se valorizados e mais próximos do professor. Produzem com maior interesse, porque sabem que receberão considerações específicas sobre o que fizerem, ou seja, dentro do contexto pode-se dizer que o tratamento é individualizado.
O computador integrado às práticas de sala de aula funciona como um catalisador para a criação de ambientes de aprendizagem interdisciplinares, cujos elementos fundamentais são os autores e atores desse ambiente: os professores e os alunos. Dele também fazem parte as demais tecnologias disponíveis, outros recursos (vídeos do Programa TV Escola, textos de livros, artigos de revistas e jornais etc.) e, principalmente, todo o sistema de relações que os sujeitos estabelecem. Esses ambientes são criados de forma a favorecer a proposta de desafios e explorações, conduzir a descobertas, resolver situações-problemas ou implementar projetos, promovendo a contínua construção do conhecimento.
As atividades de uso do computador desenvolvidas com o aluno surgem de um tema emergente no contexto ou de uma questão que se deseja investigar o que leva à elaboração e ao desenvolvimento de um projeto e instrumentaliza o aluno para ser o sujeito de sua história. Dessa forma, com o intuito de promover a compreensão dos problemas atuais, o professor ouve seus alunos, considera suas preocupações, suas necessidades e seus interesses para promover a construção de conhecimentos que levem a compreender e transformar o presente, tendo em vista a formação de uma sociedade mais participativa e igualitária.
Os temas transversais são um ponto de partida para investigar questões relacionadas a fatores éticos, econômicos, convívio social, preservação da natureza, biodiversidade, poluição, qualidade da água, recuperação dos espaços escolares, aproveitamento do lixo orgânico etc., bem como para estabelecer conexões com diferentes áreas do conhecimento, tais como Ciências, Programas de Saúde, Geografia, História, Língua Portuguesa, Matemática, Artes, Biologia, Física, Química etc. Mas o professor precisa estar atento para explicitar esse trabalho em um plano flexível e continuamente revisto e que contenha: o delineamento do problema, o público-alvo, os objetivos, a metodologia, os recursos previstos inicialmente a ser empregados (disponíveis e a providenciar), o cronograma das atividades etc.
Com as simulações, o computador permite ao aluno o fácil e rápido acesso a recursos jamais imaginados para explicitar seu pensamento, desenvolver projetos, testar hipóteses, refletir sobre os resultados e, finalmente, construir novos conhecimentos. Com a Internet, por exemplo, ele poderá buscar informações e trocar idéias com pessoas de qualquer lugar do mundo.
Não devemos esperar que o computador traga uma solução mágica para a Educação, mas, certamente, poderá ser usado pelo professor como um importante instrumento pedagógico. Sabendo explorar esta ferramenta e trabalhar sobre projetos que surgirão na sala de aula, o educador poderá proporcionar uma aprendizagem contextualizada e significativa. O aprendizado deixa de ser fragmentado e os projetos podem envolver diferentes disciplinas, tornando o ensino cooperativo e interdisciplinar e a avaliação formativa e construtiva.
Contrariando o que muitas pessoas pensam, o computador não poderá substituir o professor. O processo ensino–aprendizagem não será privado das relações humanas imbuídas de emoção e afetividade, pois o professor é fundamental para desenvolver as habilidades, o lado afetivo e os valores de cada aluno. Logo, o grande desafio que a nova tecnologia traz para o educador é transformar o aluno em agente do seu próprio desenvolvimento intelectual, afetivo e social.
Assim, o professor precisa estar preparado para o uso desta tecnologia que contribuirá para que a Educação deixe de ser mera transmissora de informação para ser promotora da construção do conhecimento pelo aluno. Seu papel será, mais do que nunca, fundamental no ensino–aprendizagem, pois a ele caberá ser o mediador desta nova construção do conhecimento. Mas isso não basta: é preciso haver também uma mudança na escola e a valorização do educador na sociedade, mostrando sua importância na formação dos futuros cidadãos. Afinal, além de ajudar no desenvolvimento do aluno para a vida profissional, o educador deve ser o parceiro dos pais na responsabilidade de formá-lo integralmente, como um ser em sua totalidade.
Viabilizar o uso da informática nas escola, para que esta se constitua em uma ferramenta didática que facilite e motive o processo ensino-aprendizagem das diversas áreas do conhecimento educacional é o objetivo maior da proposta de se trabalhar com Projetos de Aprendizagem.
Para que ocorra a mudança no processo ensino–aprendizagem, para que se use o potencial da nova tecnologia de forma adequada, é necessário o comprometimento dos envolvidos não apenas no sistema educacional, mas também da comunidade em geral.
Esta nova escola deve dar ao professor a oportunidade de buscar a sua própria transformação para atuar como facilitador da aprendizagem, abrindo espaço para que ele dê movimento ao ambiente. Deve contribuir para que, na relação com o aluno, mediado pelo computador, o educador consiga tornar a aprendizagem algo estimulante, significativo, contextualizado e criativo. Deve ter um espaço onde a comunidade, constituída por professores, alunos, pais de alunos, dirigentes e a sociedade em geral, busque atingir objetivos que reafirmem o desenvolvimento integral do aluno.
Refletir, relatar e explorar a proposta de Projetos de Aprendizagem só foi possível pela prática e coleta de dados resultante da vivência, (re) construção, (re) elaboração e (co) participação nos projetos de aprendizagem construídos pelos alunos de oitava série, turma 85, da E.E.E.F. Professor Milton Pacheco em parceria com os professores parceiros, pelas leituras realizadas, analisadas; pelas postagens feitas nos fóruns de orientação e dos Proas do curso, bem como da construção de wikis, mapas conceituais e comentários dos alunos nas páginas dos grupos de PAs.
Este trabalho parte da temática "Projetos de Aprendizagem e o registro em ambientes virtuais", uma vez que para que as novas tecnologias, especialmente o computador e a telemática, sejam empregadas como instrumentos de emancipação do homem, a relação homem-máquina deve se estabelecer em um ambiente onde o conhecimento é considerado em sua multidimensionalidade. O homem é o ser que se coloca nesse ambiente em sua totalidade de sujeito crítico e criativo e as tecnologias são empregadas na resolução de problemas significativos. Portanto, procuram-se utilizar as tecnologias como instrumentos tutorados pelo homem, estabelecendo com as mesmas uma “relação de interação – relação dinâmica entre ação e operação mental que suscita o pensamento, sem no entanto determiná-lo” (Almeida , 1996: 22).
Não se quer propor a total substituição dos espaços escolares pela comunicação em redes de comunicação à distância, mas a integração entre os distintos espaços de produção do conhecimento. O contato físico entre as pessoas é primordial e a escola é um espaço privilegiado de interação social, que precisa estar interligado e integrar-se aos demais espaços de conhecimento – promovendo a comunicação e a cooperação entre alunos, professores, pesquisadores, especialistas em áreas específicas. Juntos, eles construirão as pontes entre conhecimentos, valores, crenças, usos e costumes, favorecendo maior compreensão contextual e global, bem como a proposição e o desenvolvimento de ações em prol da transformação social.
Desta forma, os espaços escolares serão redimensionados, pois as atividades educacionais se estenderão para além das paredes da sala de aula e dos muros das escolas, continuando a ocorrer em diferentes locais. Para assumir essa perspectiva em que a prática pedagógica com o uso das novas tecnologias é concebida como um processo de reflexão–ação, o professor precisa ser capacitado para dominar os recursos tecnológicos, elaborar atividades de aplicação desses recursos, escolhendo os mais adequados ao alcance dos objetivos pedagógicos, analisar os fundamentos dessa prática e as respectivas conseqüências produzidas em seus alunos.
Ao assumir essa postura, o professor toma consciência de sua prática, analisa as conseqüências de suas intervenções, empregando teorias educacionais e conhecimentos específicos para compreender as situações criadas na aula, bem como as atitudes manifestadas pelos alunos, criando estratégias flexíveis e adequadas ao momento.
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