Viés teórico
Ao decidir-me às teorias referentes à educação, tive a felicidade de conhecer as mais diversas, entre elas, a teoria do conhecimento de Piaget, com suas idéias sobre a construção do conhecimento através do meio, da necessidade de se proporcionar conflitos cognitivos à criança para que novos conhecimentos sejam produzidos, e de suas fases de desenvolvimento.Outro grande nome que veio a contribuir com minhas pesquisas e trazer respostas à minhas indagações, foi o do professor Howard Gardner, com seus conceitos sobre as inteligências múltiplas, ou seja, as inteligências: Lógico-matemática, Lingüística, Espacial, Físico-cinestésica, Interpessoal, Intrapessoal e Musical, cada uma das quais formando formando um sujeito completo e que pode ser valorizado por inteiro, fugindo do eixo lingüístico e lógico-matemático somente. O maravilhoso Vigotsky com o sociointeracionismo, e seu postulado sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal, quer dizer, a distância entre aquilo que a criança sabe fazer sozinha (desenvolvimento real) e o que é capaz de realizar com ajuda de alguém (desenvolvimento potencial), e de que a aprendizagem antecede o desenvolvimento.
Este estudo está focado na aprendizagem e encontra, nas teorias piagetiana e freiriana, seu principal referencial teórico para apoiar seu desenvolvimento e análise.
A pedagogia de Freire postula que se deve partir, em qualquer programa de ensino, do aluno: do saber ou da cultura que o educando traz ou representa. O autor fundamenta epistemologicamente a pedagogia do diálogo. Para Freire, assim como para Piaget, o conhecimento é uma construção que exige um tipo de ação que se diferencia da ação prática, da ação que busca o êxito. A ação que constrói o que é a que se debruça inicialmente sobre os resultados de uma ação prática, e que vai progressivamente na direção de seus mecanismos íntimos, isto é, na busca da compreensão. Freire diz que educador é aquele que, além de ensinar, aprende, e educando é aquele que, além de aprender, ensina. Considera ainda que a educação crítica tem o homem como um ser inacabado, incompleto, em uma realidade igualmente inacabada. Essa consciência de incompletude, tanto do sujeito como do meio, que perpassa sua obra, encontra-se nos fundamentos da postura construtivista. A consciência do inacabamento é o que move o sujeito a construir algo que lhe permita superar essa situação.
Para Piaget , “o ideal da educação é antes de tudo, aprender a aprender; é aprender a se desenvolver e aprendera continuar a se desenvolver depois da escola”. A aprendizagem geradora de conhecimento é a verdadeira aprendizagem.
Para Piaget (1973), o pensamento origina-se da ação e temos na sociedade, um sistema de atividades onde as ações modificam-se umas às outras alcançando formas de equilíbrio. Tais ações são morais, de colaboração, de coação, de comunicação, enfim, uma construção coletiva e de correspondência das operações. A partir da análise dessas interações, deriva a explicação para as representações coletivas, ou interações que modificam a consciência dos indivíduos. Diante disso, os conceitos desenvolvidos na teoria sócio-cognitva são considerados na pesquisa com o objetivo de sustentar a análise de dados.
Nesta perspectiva o conceito de aprendizagem aqui considerado, não entende que o sujeito aprende porque alguém ensina, mas sim, que o aprender é um processo de construção, re-construção e de tomada de consciência do próprio desenvolvimento por parte do sujeito. É possível dizer que o conceito de aprendizagem, para Piaget (1974) não se restringe a uma experiência imediata, mas a une com o processo de equilibração. Assim, é papel do professor promover situações que possam desequilibrar ou colocar em xeque as certezas provisórias dos alunos e dos grupos. Cabe ao professor organizar interações do aluno com o meio (que não é só físico). É tarefa do professor problematizar, desencadear conflitos e propor situações de cooperação entre os alunos, pois não há operação sem cooperação. A cooperação nesta teoria diferencia-se da ajuda. Ajudar significa fazer pelo outro, e assim, o outro aprende a ser dependente, a esperar que solucionem por ele os problemas. Já cooperação é enfrentar solidariamente os problemas, é trocar e construir soluções e novos saberes junto com os outros. Neste sentido, é fundamental a interação social. A troca de idéias, e a discussão entre os colegas, sustentam toda a dinâmica do processo pedagógico. O aluno deve ser encorajado a exprimir suas idéias, mesmo que elas não estejam corretas sob a ótica do contexto específico ou do conteúdo estudado. O “erro” é considerado como “construtivo” quando refere-se à hipótese do sujeito sobre determinado assunto. É através da confrontação dessa idéia inicial com a dos demais colegas ou com a do próprio professor que se vai sendo construído um novo saber e essa confrontação deve partir da explicitação das idéias prévias dos alunos num clima de liberdade e aceitação.
Na mesma concepção teórica foi utilizado o ambiente virtual, no qual o sujeito é considerado como um todo, independente do espaço físico em que acessa a rede; rede esta, que compreende todos os sujeitos além da conexão entre computadores. O importante é que, utilizando-se das ferramentas do ambiente, ele consiga estabelecer relações com seus pares a partir de suas estruturas cognitivas e afetivas e, acima de tudo, que consiga construir novos conhecimentos (Behar, 2001). O ambiente virtual é o ponto de partida, onde começam a ser constituídas novas estratégias na busca de perspectivas, que atendam às necessidades desencadeadas a partir destes contextos.
Para Piaget (1995), o ser humano aprende quando consegue reconstruir o objeto de conhecimento de modo a apreender o mecanismo desta construção. Por isso, o autor se refere ao salto qualitativo na aprendizagem. Porém, para este salto, é necessário que se trabalhe com as ações do sujeito, ações organizativas, mas para que a aprendizagem aconteça, são necessárias estruturas cognitivas, pois o sujeito aprende estritamente aquilo para o qual construiu instrumentos.
A completa conservação das interações dos sujeitos no ambiente virtual permite o livre acesso a temas já discutidos. Isso favorece a igual oportunidade de participação além da possibilidade de repensar sobre as próprias contribuições.
Assim, por um processo contínuo de idas e vindas é possível que o sujeito construa estruturas que sanem as necessidades apresentadas por ele. (Piaget, 1998)
É muito importante para o processo de ensino-aprendizagem que o professor conheça tanto as teorias de aprendizagem como os recursos disponíveis que podem ser aplicados em várias metodologias de ensino.
Entre os recursos, encontra-se na Internet, que pode ser utilizada de diversas formas como apoio ao trabalho do professor na construção do conhecimento.
Para obtermos resultados positivos neste processo, a utilização das tecnologias da informação e comunicação vêm a contribuir, pois possibilitam um trabalho cooperativo, colaborativo e interativo.
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